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Terça-feira, 6 de Maio de 2008

ENSAIO LG21 * LITERACIA GLOCAL * PRIMEIRA PARTE

 

NOVO ENSAIO DOS SURREALHUMANITY

 

 

LITERACIA GLOCAL XXI, LG 21 :

 O NOVO PARADIGMA COMUNICACIONAL

EMERGENTE  NO SEIO DOS REAJUSTADOS

SISTEMAS EDUCATIVOS TRANSMODERNOS

 

 

          

           “1.Todas as pessoas têm o direito à educação, bem como ao acesso à formação profissional e contínua.

                2. Este direito inclui a possibilidade de frequentar gratuitamente o ensino obrigatório.

                3. São respeitados, segundo as legislações nacionais que regem o respectivo exercício, a liberdade de criação de estabelecimentos de ensino, no respeito pelos princípios democráticos, e o direito dos pais de assegurarem a educação e o ensino dos filhos de acordo com as suas convicções religiosas, filosóficas e pedagógicas.”

                  Pontos 1, 2 e 3 do 14º Artigo da Carta Europeia dos Direitos do Homem, criada pelo Conselho Europeu de Colónia, a 3 e 4 de Junho de 1994

 

            Catorze anos volvidos desde a redacção da Carta Europeia dos Direitos do Homem, é bom lembrar, a todos, a Presidência da Comunidade das Democracias, assumida em Novembro último pelas autoridades portuguesas, para poder renovar algum sentido de esperança, - relativamente ao qual, cada um de nós, não está isento de responsabilidades - num futuro mais harmonioso e fraterno, à escala internacional. Uma lufada de ar fresco, há muito, que é aguardada por uma esmagadora maioria da sociedade mundial e, muito provavelmente, os sessenta anos da promulgação da Declaração Universal dos Direitos do Homem, que agora se comemoram, efusiva e entusiasticamente, pelos cinco continentes, mais não podem a não ser assumir-se como um reacender de promessas não cumpridas, em parca dívida com as populações votadas ao ostracismo e abandono humanitários.

 

            Aliás, não é filho bastardo do acaso o facto de o actual Secretário-Geral das Nações Unidas, o Exmo. Sr.  Ban Ki-moon, na sua reconhecida linha de acção programática dos últimos tempos, ter sido peremptório quanto aos contornos com que a Declaração do Milénio, ratificada em 2000 por 189 países, vem enformar o novo puzzle geopolítico mundial, designadamente, no que aos Objectivos de Desenvolvimento, a atingir até 2015, se refere. É, pois, natural que a luta firme em prole da erradicação da pobreza e da má nutrição, a preocupação confessa com a degradação ambiental em curso e o flagelo endémico imposto pelo vírus HIV, bem como a acentuada desigualdade de géneros, venham a integrar as diversas agendas políticas dos principais líderes mundiais, nas quais, estamos certos, a rubrica temática “A Educação para todos até 2015não deixará de constar, dadas as múltiplas implicações sociais em jogo. Como é evidente, a Unesco e a União Europeia não poderiam ficar excluídos deste interessante desafio, que é poder contribuir para uma globalização mais harmoniosa e humana.

 

            À luz de todo este envolvimento singular, múltiplos têm sido, como se sabe, os programas e projectos implementados, um pouco por todo o lado, a maioria dos quais graças a planos de co-financiamento delineados, propositadamente, para o efeito.

 

Poderíamos, de súbito, mencionar o caso do Programa Erasmus e do seu congénere Erasmus Mundus, ou da acção levada a cabo pelas Cátedras Jean Monnet, ou ainda, pelo recém-criado movimento Literacia Digital, no contexto da nova organização, com vínculo institucional à O.N.U., designada de Aliança das Civilizações, sob a convicta liderança do nosso Ex-Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio.

 

Não deixa, porém, de ser curioso o facto de, cada vez mais, ser perceptível uma abertura, em crescendo, por parte dos mais diversos quadrantes, mormente oriundos do seio académico, face à importância das várias línguas e dialectos, requeridos pela nova concepção arquitectónica do novo espaço criado pelo transmoderno paradigma de comunicação glocal, – termo usado para enfatizar a feliz alegoria da aldeia global – tanto mais numa altura em que se comemora o Ano Europeu do Diálogo Intercultural e celebra, por todos os recantos do planeta azul, o Ano Mundial das Línguas – precisamente, declarado, oficialmente, em curso em 21 de Fevereiro.

 

Importará, por conseguinte, encontrar as eventuais razões deste claro sucedâneo de revitalização cultural, desde logo, ponderar, quanto mais não seja, o potencial conflito com a instalação do novo Mito de Babel, por obra de uma estranha torre, já, baptizada de Rede – ou, mais vulgarmente, de Internet. Quanto a nós, estamos longe de poder subscrever, na íntegra, o Choque de Civilizações de Samuel Huntington, não obstante, sentimo-nos impelidos a reconhecer, hoje, muito por causa do tsunami de terrorismo em voga, a urgente necessidade de estabelecer pontes de contacto entre as várias culturas e cosmovisões do mundo que nos rodeia. Em nosso entender, o pós-modernismo nascido nos alvores dos anos trinta do século transacto, começa a resvalar, de forma paulatina, em enevoados escombros, com uma discrição tal, que, nem mesmo, os pretensos vanguardistas o conseguem desvelar : ao que parece, encontramo-nos no mais inacessível dealbar, camuflado pela espantosa celeridade ditada pelas constantes inovações tecnológicas, de um tempo novo, ainda criança, contudo, bem vivo e de boa saúde – na espiral hegeliana da História, vemo-lo desejo por irromper, com o seu próprio nome, sem dúvida, transmodernismo.

 

     (SURREAL CONTINUA ...)

sinto-me: LITERALMENTE À PROCURA DE ...
publicado por $urrealHumanity às 21:21
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Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

NEUROCIÊNCIAS E EDUCAÇÃO : ALGUNS INFUNDADOS NEUROMITOS DE CONTORNOS DIDÁCTICO-PEDAGÓGICOS

 

 

 

 

 BREVE RESENHA DA NOSSA ANÁLISE DE UM TEXTO DE REFERÊNCIA, RECENTEMENTE PUBLICADA PELA OCDE E PELO CERI , SOB O NOME DE "COMPREENDER O CÉREBRO : NASCIMENTO DE UMA CIÊNCIA DA APRENDIZAGEM"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cumprimentos cordiais a todos,

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

os SurrealHumanity , na continuidade das análises levadas a cabo no decurso desta semana em busca de boas e inovadoras práticas pedagógicas - com especial tendência para o ensino das línguas -, consideraram como oportuno, neste dia 17 de Abril, a menos de uma semana da divulgação oficial do resultado do Concurso BiblioFilmes , a coincidir com o Dia Mundial do Livro, trazer a lume algumas das recentes conclusões alcançadas, no âmbito do estudo levado a cabo pela OCDE  e pelo CERI , ou Centro para a Investigação e Inovação no Ensino.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Levantando um pouco o véu, podemos, desde já, adiantar que a chave conceptual deste texto se prende com o chamado neuromito " : ideias fantasistas, ainda que retomadas de quando em quando - vai se lá saber porque razões -, que vão desde o típica dicotomia "cérebro esquerdo" versus "cérebro direito", passando pela aceitação quasi-dogmática de um determinismo do desenvolvimento, nos primeiros anos de vida das crianças, e culminando nas "intrigantes" diferenças entre sexos e a mais que debatida questão da via da aprendizagem multilingue.

 

 

 

 

 

Desde que há memória, o Homem - sob o Novo Acordo, Omem - a par da sua insatisfeita natureza, muitas vezes se tem contentado em dar por garantidas algumas explicações, demasiado céleres e simplistas, a maior parte das quais se vem, depois mais tarde, a revelar absolutamente insustentável, dada a absurda futilidade das suas extrapoladas interpretações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PRIMEIRA CONCEPÇÃO A CAIR POR TERRA :

"PARA O CÉREBRO HUMANO, TUDO SE

JOGA ATÉ À IDADE DE TRÊS ANOS"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Neste domínio em concreto, as demarcadas conceptualizações de matriz anglo-saxónica são conhecidas de todos nós. Bastaria, para o confirmar, mais uma vez a rebate, digitar num qualquer motor de busca, por exemplo, a expressão inglesa Birth to three " e, num ápice, seríamos aconselhados a adquirir toda uma multifacetada gama de produtos para potenciar a " máxima inteligência". A razão para este credo prende-se com a existência faseada de alguns fenómenos psicológicos específicos, que, efectivamente, tendem a ocorrer nesta faixa etária do desenvolvimento das crianças. Em abono da verdade e das limitações epocais da ciência humana, fomos sendo encorajados a alimentar um dogma neuronal : o número máximo de neurónios seria determinado à nascença, visto que a sua regeneração jamais existiria. Hoje, sabemo-lo, de forma mais clara, as coisas não são tão lineares, como à primeira vista se poderia fazer querer. A leitura feita no passado, de facto, mostrou-se bastante incompleta ; vejamos melhor porquê ...

 

 

 

 

Ora. a componente fundamental do tratamento da informação, no cérebro humano, é a célula nervosa, vulgarmente designada de neurónio. Cada um deles, por sua vez, pode conectar-se com milhares de outros, seus congéneres informativos, o que permite a circulação massiva dos data em múltiplas direcções, em simultâneo. Através das ligações entre os diferentes neurónios - apelidadas de sinapses -, os impulsos nervosos podem circular, de célula em célula, e, deste modo, servir de suporte ao desenvolvimento das competências e à capacidade de aprendizagem.

 

 

Assim, torna-se evidente que o processo de aprendizagem se encontra, inextricavelmente, ligado à criação de novas sinapses, e, já agora, ao reforço ou amortecimento das existentes. Um facto é indesmentível, comparado ao número de sinapses de um adulto, o de um recém-nascido é bastante inferior ; porém, e quiçá o mito tenha sido gerado a partir daqui, passados apenas dois meses, a densidade sináptica do cérebro da criança aumenta de forma exponencial, chegando mesmo a ultrapassar a de um adulto - alcançado o apogeu, por volta dos dez meses. Vivido esse tempo, inicia-se um largo péríodo de declínio regular, até à idade de dez anos, altura em que o "número adulto de sinapses" é atingido.

 

 

 

 

 

Ainda hoje, em alguns meios de proa académica, vagueia a ideia, não sabemos se importada de algum (pseudo-)elitismo anglo-saxão, que a pujança criativa, raramente, ultrapassa o limite tangencial dos trinta anos ; um pouco ao jeito da conhecidíssima carreira de futebolista - de qualquer modo, como as diferenças salariais, num e noutro caso, se mostram abissais, estamos a crer que o "futebolês" se terá transfigurado em novo mito... ou não ...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para pôr termo a este primeiro ponto, voltaríamos a sublinhar, de novo, a ideia de que o cérebro humano conserva intacta a sua plasticidade neuronal, e também sináptica, ao longo de todo o processo vital. O estudo levado a cabo por Terry et al, assegura-nos, nesta matéria, que o número total de neurónios em cada zona do córtex cerebral não depende da idade do indivíduo em causa, até porque existem certas regiões do cérebro - nomeadamente, o hipocampo, uma das componentes cerebrais implicadas no processo de memória espacial e de navegação, segundo Burgess et O´Keefe, 1996 - capazes de contribuir para a geração de novos neurónios ao longo da vida ; seja como for, "a corpulência dos neurónios", essa sim, é manifestamente diferente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SEGUNDA CONCEPÇÃO A CAIR POR TERRA :

"APENAS UTILIZAMOS 10 % DO NOSSO CÉREBRO"

 

Muitos são os que já ouviram falar, certamente, do grande pedagogo francês, Jean Piaget, um dos intelectuais que mais influenciou a organização dos sistemas escolares, no decurso do derradeiro quartel do século passado. Segundo Piaget, a criança apresenta diversos períodos específicos de desenvolvimento cognitivo, estando apta a ler e a contar, apenas por volta dos 6 a 7 anos de idade. Recordamos à Blogosfera que em todos os países membros da OCDE, no que à escrita, leitura e aritmética concerne, a iniciação das crianças se dá, precisamente, por esta altura. Contrariando, talvez, o famijerado matemático, Richard Dedekind, para quem os números naturais teriam algo de co-natural - género de um a priori à la Kant -, Jean Piaget entendia que, neste particular domínio, o nascituro não trazia consigo nehuma espécie de representação do conceito de número. Stanislas Dehaene, a nossa figura da semana, provou, nos seus trabalhos de 1997, que Piaget estava errado ; e mais, Gopnik et al, 2005, inclinam-se a ver num recém-nascido, alguém muito mais dotado do que até aqui se supunha. As novas técnicas de mapeamento cerebral constituem, afinal de contas, o ónus da tão desejada prova. Contrariando todas as obsoletas concepções, dos 10% ou dos 30% funcionais, hodiernamente, os neurocientistas convergem, quanto à máxima funcionalidade do cérebro humano, contrapondo aos referidos valores, o número redondo de 100% !

 

 

 

 

 

 Mesmo durante o sono, as diversas zonas cerebrais mantêm os seus discretos níveis de actividade. Quanto à verosimilança de uma fértil plasticidade de renovação neuronal, temos a nosso favor o universal processo de selecção natural, ao ponto de neurónios desgastados e improdutivos se verem auxiliados, por outros emergentes e cheios de vitalidade. Se é bem verdade que o cérebro humano apenas corresponde a 2% do peso total do corpo humano, não é menos certo que consuma, cerca, de 20% da energia disponível - perdoem-nos a imagem, mas um patrão tem mesmo muito trabalho.

 

 

TERCEIRA CONCEPÇÃO A CAIR POR TERRA :

"O CÉREBRO DE UMA CRIANÇA APENAS PODERÁ APRENDER UMA LÍNGUA DE CADA VEZ"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Actualmente, cerca de metade da população mundial - e espera-se que este número venha a aumentar no decorrer dos próximos tempos - fala, pelo menos, duas línguas ; na maior parte dos casos, a língua materna e o inglês - ainda que varie de situação para situação. Um dos mitos mais inculcados pelas mentes dos nacionalismos exclusivistas, consistia em crer que a aprendizagem de uma língua, elevada a patamares superiores, acabaria por levar a que o estudo de uma outra língua tivesse de ser, forçosamente, secundarizado ; diríamos, mesmo, quase inviabilizado, pelos fracos resultados a colher.

 

 

 

Ainda hoje, se mantém incólume, nalguns sectores da sociedade, o velho princípio de que, antes de mais, se deve proceder ao estudo independente da língua materna ; qualquer outro cenário paralelo, teria de cair por terra.  Naturalmente que as verdadeiras razões tinham a ver com questões e interesses de ordem cultural e política, tão em voga na época. No entanto, coibamo-nos de cair na tentação de querer encarar o mito nacionalista linguista de novecentos, disseminado pelo movimento romântico herderiano, como exclusivo de um passado, para sempre, enterrado nos confins da história ; hoje mesmo, interrogamo-nos se não estaremos na eminência de um outro mito global, de laivos darwnistas ou spencerianos, quase nos antípodas, em que as próprias línguas maternas são feitas vítimas de um processo geopolítico de hegemonia mundial, em benefício de uma das suas variantes...

 

 

 

A montante das nossas convicções pessoais sobre o assunto, um aspecto nos parece indiscutível : qualquer um de nós que tenha compreendido um determinado conceito, numa dada língua, é, com toda a certeza, capaz de o perceber numa outra língua ou dialecto. Olhando de frente a realidade que nos rodeia, facilmente constatamos que as pessoas multilingues, a dada altura, já nem tão pouco se lembram qual o idioma através do qual incorporaram um dado conceito ; por outro lado, estudos levados a cabo apontam o multilinguismo como um fenómeno potenciador de uma  aquisição mais ampla ao nível das múltiplas competências linguistícas.

 

Aquilo que o presente estudo acaba por recomendar, no âmbito da aprendizagem das línguas, passa, fundamentalmente, por sugerir aos sistemas educativos, em geral, que optem por uma linha de orientação bem alicerçada em boas práticas, já implementadas e com provas dadas, isto sem descurarem os novos estudos complementares sobre o funcionamento do cérebro humano, cujas vias de investigação, se espera, continuem a merecer os apoios necessários da parte dos representantes eleitos.

 

 

QUARTA CONCEPÇÃO A CAIR POR TERRA :

"OS CÉREBROS DO HOMEM E DA MULHER

SÃO RADICALMENTE DISTINTOS"

 

 

 

 

A olhar para os resultados do PISA 2003, por exemplo, talvez nos sentíssemos inclinados, ou mesmo tentados, em tirar a simples ilação de que o sexo masculino se dá melhor com as matemáticas, ou com o raciocínio lógico-dedutivo ; enquanto que, da parte das mulheres, a tendência recairia sobre um melhor domínio da língua. Alguns estudiosos mais curiosos por esta "imortal guerra dos sexos", chegaram mesmo a confirmar a existência de diferenças ao nível da morfologia e da própria funcionalidade : no caso do cérebro do homem - ou omem -, o volume cerebral é maior ; em relação à mulher, mal o jogo complexo da linguagem tenha dado os seus primeiros passos, o que se evidencia é o facto da zona afecta à linguagem ser activada com muito maior intensidade. De qualquer das formas, pareceu-nos, neste quadro de diferenciação sexual, que estamos muito longe ainda de poder edificar uma opinião sólida e credível.

 

Bom, caros amigos criativos, de uma coisa podemos todos estar bem certos e tranquilos : por um lado, a memória humana não é ilimitada, dada a exigência "materializável e mensurável" da sua finitude de armazenamento ; por outro, saímos daqui com a pretensão de ter esclarecido a Blogosfera quanto ao facto de a  nossa memória  não obedecer, em regime de exclusividade, a um só tipo de fenómeno, até porque não se localiza concentrada num único ponto isolado do nosso cérebro.

 

 

 

Enquanto Surreais convictos que procuramos ser, não podemos deixar de terminar com mais um delicioso apontamento final : a forma de compensar essa finitude cerebral não deve ser encarada, por nenhum de nós, como uma tragédia racional ; muito menos, deverá, em estilo de resposta vingada, na qualidade de interface homem-máquina, almejar proceder à criação de mecanismos de compensação cerebrais exógenos ao corpo humano, tal qual "implantássemos mais um determinado número de gigas de memória, à nossa escolha, e a uma velocidade de processamento de informação a rondar o máximo permitido". Desde sempre, nós, humanos, reais e surreais, dispusémos de mecanismos naturais de compensação, nomeadamente, por intermédio da dita memória visual ou fotográfica - um termo já mais recente - ; falamo-vos da "memória eidética" ...  Nunca a ignorem, por favor !

 

              Cérebros Criativos, um abraço dos Cérebros Surreais !

 

    Texto dos SurrealHumanity , adaptado de : Capítulo 6 "Dissiper les neuromythes de l´ouvrage de réference : Comprendre le cérveau : Naissance d´une science de lá aprentissage", OCDE &  CERI  2007.

 

                   Para mais informações, clique em : ESTUDO .

 

 

sinto-me: UM MITOS POR RACIONALIZAR OOOH
publicado por $urrealHumanity às 22:15
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Quinta-feira, 6 de Março de 2008

ENSAIO LG21 * LITERACIA GLOCAL * SEGUNDA PARTE

 

“A Identidade é o nome que damos à saída da incerteza que procuramos.”

Zygmunt Bauman, A Vida Fragmentada – Ensaio sobre a Moral Pós-Moderna,

Relógio D´Água, Março de 2007

 

            A perestroika chegou com Gorbatchov, o Muro de Berlim sucumbiu e as Torres do World Trade Center, em terras cosmopolitas do Tio Sam, esvaíram-se em escombros. Três confirmações do óbvio inerente à complexidade e à incerteza contemporâneas : a progressiva dessacralização da realidade ; a falaciosa autonomia e atomização do Sujeito, despersonalizado e despojado da sua Humanidade ; bem como o destronar, cada vez mais evidente, da ideia de abertura intelectual, na esteira do movimento iluminista de oitocentos, superiormente denunciado por Karl Popper. Em boa verdade, o hodierno pecado original da actualidade passa, quase em exclusivo, pelo querer, compulsivamente, fazer tábua rasa do legado deixado pelos nossos antepassados, como se tivéssemos sido nós próprios a auto-criar-nos, dispensando toda a espécie de progenitores.

 

Por mais vozes que tenham tentado fazer-se ouvir, com George Bernanos ou Emanuel Mounier à cabeça, a surda teimosia, já de si cega por acreditar ver demais, acabou por vingar, isto em nome de uma pretensa concepção de liberdade, hoje, nas ruas da amargura do virtual. Documentos de referência como sejam : “Mirari vos”, de 1832 ; “Singulari nos”, de 1834; “Quanta cura”, de 1864 ; ou, mais recentemente, no âmbito do Concílio Vaticano II, apelando para a centralidade da educação para os valores, a Declaração Apostólica “Gravissimum Educationis Momentum”. Com toda a certeza, meritórias e muito sérias tentativas de diálogo harmonioso entre a razão e a fé, – na esteira de Santo Agostinho, de Santo Anselmo e do Aquinate, isto só para nos mantermos fiéis às trindades tão caídas em desuso – acabaram por ser, profundamente, ignorados e, pior do que isso, considerados autênticos entraves ao processo de libertação do homem, até à data, submergido em rituais desrespeitadoras da natureza e felicidade humanas.

 

Corria o ano de 1967, quando um eminente filósofo e jurista alemão, de seu nome Ernst Wolfgang Böckenförde, decide, corajosamente, juntar-se à prerrogativa de negação das ideologias messiânicas em voga, precisamente, um ano antes do movimento estudantil que viria a fazer furor nos mais diversos meios académicos mundiais, Maio de 1968, tendo declarado, alto e bom tom : o Estado liberal secularizado vive de pressupostos que não pode garantir”.  Todavia, o eco deste grito, infundado para o ar respirado da moda vigente, pouco ou nada viria a alterar, na essência da mundaneidade caleidoscópica mescladora das mais variadas vivências. Ainda recentemente, vozes de discordância manifesta com a trajectória política em curso, nomeadamente, por parte de Rocco Buttiglione, junto do Parlamento Europeu, - imagine-se - em defesa das raízes cristãs na base do processo de construção europeia, mereceram pesada censura pelas mãos dos excelsos responsáveis. Por incrível que possa parecer, os principais líderes dos destinos da União Europeia fizeram, literalmente, letra morta de documentos doutrinários de primeira linha, designadamente, a Exortação Pós-Sinodal  “Ecclesia in Europa” permitido pela pena acutilante do saudoso Papa João Paulo II.

 

Seja como for, uma réstia de esperança mantém-se viva no panorama actual : efectivamente, podemos afirmá-lo com a frontalidade que tão bem nos caracteriza, muitos são, já, os intelectuais europeus que discordam com a linha política que tem sido traçada, particularmente, o insuspeito Jürgen Habermas, no campo do racionalismo pós-metafísico, que defende uma “secularização não aniquiladora” e afirma, com todas as letras e mais alguma que houvesse, que a neutralidade ideológica do Estado, garante de idênticas liberdades éticas a todos os cidadãos, é incompatível com a generalização política de uma mundividência laica”.

 

Como não querer aceitar a evidência : a União Europeia, goste-se ou não, emerge das raízes cristãs da Velha Europa. Mais uma sustentada confirmação das nossas suspeitas : o conceito personalista, latente na história do mundo ocidental, deseja-se, por estes dias e mais do em nenhuma outra época, amordaçado e vilipendiado em nome do novo monarca, o do Sujeito-Atomizado ou Indivíduo. Numa nova era em que as distâncias se vêem encurtadas, é bem provável que as noções de Tempo e de Eternidade nos estejam a exigir igual tratamento existencial : tudo se passa como se tudo se resumisse a um simples e efémero instante, nada mais há além dessa ínfima migalha temporal. A dimensão histórica é, em definitivo, abolida e, com isso, a Humanidade vê-se de braços dados com a mais incrédula das certezas : a incerteza travestida de virtual.

 

Se viver é aprender a amar, estamos em crer, o Amor e a Vida estão condenadas a uma radical relação construtiva e, dialecticamente, dialógica.

Perguntamos, tão somente, se é isto que é ser Homem, no desfraldar do século XXI ?

(SURREAL CONTINUA ...)

sinto-me: LITERALMENTE COM SENTIDO DE...
publicado por $urrealHumanity às 19:58
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